terça-feira, 30 de novembro de 2010

Unicef: Por Uma Infância Sem Racismo

UNICEF lança campanha por uma infância sem racismo

Brasília, 29 de novembro

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), em parceria com a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), lançou hoje, no auditório do Ministério da Educação, às 9h30, a campanha nacional sobre o impacto do racismo na infância. A iniciativa tem o slogan Por uma infância sem racismo.



O evento contou com a participação do secretário de políticas de ações afirmativas da Seppir, Martius Antonio Alves das Chagas; da secretária nacional de promoção dos direitos da criança e do adolescente da Secretaria de Direitos Humanos (SDH), Carmen de Oliveira; do secretário de educação continuada, alfabetização e diversidade do Ministério da Educação (MEC), André Lázaro; e da representante do UNICEF no Brasil, Marie-Pierre Poirier.
Além das autoridades, o evento teve a participação de representantes de movimentos negros e indígenas e de adolescentes de escolas públicas do Distrito Federal.
Para o UNICEF, a discriminação racial não apenas persiste no cotidiano das crianças no Brasil, como também se reflete nos números da desigualdade entre negros, indígenas e brancos. Com a campanha, o UNICEF quer fazer um alerta sobre a necessidade da quebra do círculo vicioso do racismo para, dessa forma, estimular a criação e o fortalecimento de políticas públicas voltadas para as populações mais vulneráveis.
A campanha, lançada como parte da celebração dos 60 anos de atuação do UNICEF no Brasil, tem como objetivo mobilizar a sociedade brasileira para a necessidade de assegurar a equidade e a igualdade étnico-racial desde a infância. Para o UNICEF, o combate ao racismo implica valorizar as diferenças, promovendo a igualdade de tratamento e oportunidades para cada menina e menino no Brasil, o que ainda representa um grande desafio para o País. Assim busca-se contribuir com o debate nacional sobre direitos da infância e adolescência, envolvendo cada segmento da sociedade no esforço do combate ao racismo a partir do reconhecimento de sua existência.



A Campanha – Para a primeira etapa da campanha, foram produzidas peças gráficas criadas pelas agências Ogilvy e AW Comunicação, parceiras da ação. A iniciativa conta com a participação do ator e embaixador do UNICEF no Brasil, Lázaro Ramos. Lázaro gravou um filme de 4 minutos, em que o texto demonstra a situação das crianças negras e indígenas no Brasil. O filme tem uma versão de 27 segundos para ser veiculado nos canais de televisão que apoiam a campanha.
Além disso, como parte da campanha, será disseminado um folheto institucional que propõe “Dez maneiras de contribuir para uma infância sem racismo”, com orientações sobre como identificar, evitar e combater atitudes e ações discriminatórias. A campanha terá duração de um ano e será acompanhada de um blog (http://www.infanciasemracismo.org.br/).
Ao reconhecer os progressos do Brasil na melhoria da qualidade de vida de suas crianças, a Representante do UNICEF no Brasil, Marie-Pierre Poirier, lembrou que esses benefícios ainda não contemplam equitativamente todos os meninos e meninas, especialmente, negros e indígenas. “Essas crianças e adolescentes ainda vivem em contextos de desigualdades. Muitas vezes sofrem discriminação no ambiente escolar, nas comunidades onde vivem e, até mesmo, em instituições públicas. Isso tudo tem uma repercussão profunda no desenvolvimento dessas crianças. O País precisa reafirmar o compromisso de eliminar todas as formas de racismo, sobretudo, na infância”, observou Marie-Pierre.
Diferentes setores da sociedade civil participaram da construção da campanha, entre elas: Ação Educativa, Ceafro, Tribo Jovem, Geledés, comunidades Pataxós, Coiab e Andi. Várias organizações já anunciaram apoio à iniciativa e veicularão peças da campanha. São elas: MTV, Canal Futura, Orla Rio, EBC, Discovery Chanel, Afrobras, MICA e Botafogo Futebol e Regatas. Grupos religiosos estão mobilizados em torno da campanha, desenvolvendo mensagens de sensibilização sobre o tema em suas comunidades.
UNICEF no Brasil – O UNICEF tem como missão colaborar com os governos dos países para que assegurem direitos iguais para cada criança e cada adolescente e considera que promover a equidade racial é de extrema importância para o desenvolvimento social e econômico das nações. Enfrentar o racismo e promover a diversidade é papel dos governos e de cada cidadão.
O primeiro escritório do UNICEF no Brasil foi instalado em 1950, em João Pessoa. Nessas seis últimas décadas, o UNICEF tem participado de importantes conquistas, como a erradicação da pólio, a redução da mortalidade infantil, a distribuição da merenda escolar e a recente ampliação da obrigatoriedade do ensino dos 4 aos 17 anos.
O UNICEF é movido pelo compromisso e pela determinação de ajudar a construir um mundo onde os direitos de cada criança são cumpridos, respeitados e protegidos. No Brasil e em outros 190 países, esse trabalho é realizado em parceria com governos e sociedade. Por meio da união de forças, o UNICEF acredita que será possível superar as disparidades que ainda impedem a sobrevivência e o desenvolvimento de milhões de meninas e meninos em todo o mundo.
Participe desta campanha!
Mais informações
Assessoria de Comunicação do UNICEF no Brasil
Pedro Ivo Alcantara
E-mail: pialcantara@unicef.org
Telefone: (61) 30351983
Estela Caparelli
E-mail: mecaparelli@unicef.org
Telefone: (61) 30351963

Por Uma Infância sem Racismo


A discriminação racial persiste no cotidiano das crianças brasileiras e se reflete nos números da desigualdade entre negros, indígenas e brancos.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Livro: Desconstruindo a discriminação do negro no livro didático

LANÇAMENTO: Desconstruindo a discriminação do negro no livro didático, da autoria de Ana Célia Silva


 
No dia 26 de novembro, a partir das 16h30, será lançado o livro Desconstruindo a discriminação do negro no livro didático, da autoria de Ana Célia Silva. A publicação, da Editora da Universidade Federal da Bahia, terá o lançamento realizado no Pestana Bahia Hotel e a entrada será gratuita.
 
As relações sociais na escola ainda refletem as consequências do recalque das diferenças internalizado por muitos alunos e professores. A denúncia da discriminação racial na educação tem sido anulada nas escolas através da negação e silêncio perante os rituais racistas cotidianos na vida escolar. Essa tarefa não é restrita aos negros, ela exige a participação de todos os setores democráticos da sociedade.
 
A segunda edição do livro Desconstruindo a discriminação do negro no livro didático objetiva oferecer condições para que educadores e educadoras possam utilizar o livro didático de forma crítica, transformando-o em um instrumento gerador de consciência reflexiva. Desconstruir a ideologia que desumaniza, contribui para o processo de reconstrução da identidade étnico-racial e da autoestima da criança negra, com efeitos positivos para a sua aprendizagem e sua interação social.
 
SERVIÇO
 
O quê: Lançamento do livro Desconstruindo a discriminação do negro no livro didático, da autoria de Ana Célia Silva
Quando: 26 de novembro de 2010, a partir das 16h30
Onde: Pestana Bahia Hotel, Rua Fonte do Boi, nº 216 - Rio Vermelho
Preço do livro: R$ 25,00
Preço do livro (Lançamento): R$ 20,00
 
Informações técnicas
 
ISBN: 978-85-232-0736-6
Número de páginas: 102
Formato: 15 x 21 cm
Ano: 2010

sábado, 27 de novembro de 2010

O Alufá Rufuno

A Livraria LDM e Editora Companhia das Letras convidam para o lançamento do livro


O ALUFÁ RUFINO
TRÁFICO, ESCRAVIDÃO E LIBERDADE NO ATLÂNTICO NEGRO (c.1822 – c.1853)

de João José Reis, Flávio dos Santos Gomes e Marcus J. M. de Carvalho


Sexta-feira, 03 de dezembro de 2010, das 18h às 21h
LIVRARIA LDM - Rua Direita da Piedade, 22 – Piedade
(Próximo ao Banco do Brasil e à Secretaria de Segurança Pública)
Telefone: 2101-8007/2101-8000

A Obra:

Este livro, escrito a seis mãos por especialistas na história da escravidão no Brasil, reconstitui a movimentada biografia de Rufino José Maria e faz uma abrangente análise do contexto histórico do Brasil e da África no século XIX.
Nascido no antigo reino africano de Oyó, escravizado na adolescência por um grupo étnico rival, adquirido por traficantes brasileiros e levado para Salvador da Bahia, o protagonista destas fascinantes páginas da história do Brasil teve sua biografia dividida pelo oceano. A vida de Rufino foi plena de aventuras e desventuras. Após conseguir sua alforria, tornou-se cozinheiro assalariado de navios negreiros e, na maturidade, no Recife, alcançou o posto de alufá, guia espiritual da comunidade de negros muçulmanos.

Os Autores:
João José Reis
Possui graduação em História pela Universidade Católica do Salvador (1974), também cursou Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia (1971-75), obteve título de mestre em História (1977) e doutor em História (1982) pela University of Minnesota.
Atualmente é Professor Titular do Departamento de História da Universidade Federal da Bahia.

Flávio dos Santos Gomes
Possui licenciatura em Historia pela UERJ (1990), bacharelado em Ciências Sociais pela UFRJ (1990), mestrado em História Social do Trabalho (1993) e doutorado em História Social (1997), ambas pela Unicamp.
É professor do programa de pós-graduação em História da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Marcus J. M. de Carvalho
É professor da Universidade Federal de Pernambuco e autor de Liberdade: Rotinas e Rupturas do Escravismo, Recife 1822-1850. (Editora Universitária-UFPE, 2002).


Artigo: Projeto Mãe Criadeira


A Rede de Sustentação Coletiva, Espaço Potencial e Resgate Identitário: Projeto Mãe-Criadeira

Marco Antonio Chagas Guimarães
Doutor em Psicologia Clínica, Coordenador do Instituto de
Psicossomática Psicanalítica Ori-Aperê
Endereço: Travessa Santa Leocádia 10, Copacabana, CEP 22061-050,
Rio de Janeiro, RJ, Brasil
E-mail: guimar.m@uol.com.br
Angela Baraf Podkameni
PhD em Psicologia Clínica, Coordenadora do Instituto de
Psicossomática Psicanalítica Ori-Aperê
Endereço: Travessa Santa Leocádia 10, Copacabana, CEP 22061-050,
Rio de Janeiro, RJ, Brasil
E-mail: podkameni@uol.com.br

Resumo
Este estudo tem como objetivo contribuir para a compreensão das consequencias do racismo, da discriminação e da intolerancia racial existentes na sociocultura brasileira, que afetam a saude mental da população negra. Tendo como metodologia o metodo de pesquisa-ação e observação participante, a pesquisa desenvolvida durante o Projeto Mãe-Criadeira – dirigido a gestantes negras e não negras de duas comunidades do Rio de Janeiro –, usando a ideia da Rede de Sustentação Coletiva (Guimaraes,2001) como estratégia de intervenção, demonstrou contribuir para a diminuição dos efeitos nocivos do racismo nessa população de mulheres. A pesquisa baseada no pensamento teorico-clinico do psicanalista Donald Winnicott demonstrou que a exposição do individuo de descendência negra a um meio ambiente como o da nossa sociocultura provoca um esforco excessivo na manutenção e na realimentacao do campo subjetivo (Podkameni e Guimaraes, 2004) denominado por Winnicott (1975) “espaco potencial”. O conceito de “situação conflitual traumatizante”, proposto pelos autores neste trabalho, procura dar visibilidade a esse esforco que, por ser psiquico e nao observavel concretamente, põe em evidencia seu carater de situacao de risco.
Palavras-chave: Saúde da população negra, Saúde coletiva, Racismo, Psicanálise, Winnicott, Esáço potencial

Para ler o artigo completo clique aqui: Projeto Mãe-Criadeira

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

A Psicologia na Promoção da Igualdade Étnico-Racial



Nesta data, 20 de novembro, em que é celebrado o Dia da Consciência Negra, o Conselho Federal de Psicologia lembra a todos a importância do resgate das raízes brasileiras e o combate ao racismo que até os dias de hoje insiste em permear diversas relações em nosso País, como forma de reconhecimento social do negro na sociedade brasileira.


Para debater o assunto, foi realizado em outubro deste ano, o I Encontro Nacional de Psicólogos (as) Negros (as) e Pesquisadores (as) sobre Relações Interraciais e Subjetividade no Brasil (I Psinep), apoiado pelo CFP. “Rompemos assim com a circulação de ideias simplificantes sobre as desigualdades no Brasil e na Psicologia”, afirma a psicóloga Maria Lúcia da Silva, que participou da organização do evento. Este teve como objetivo central a consolidação de uma rede de profissionais qualificados para a promoção da igualdade étnico-racial.

“Pensar o Dia da Consciência Negra do ponto de vista da Psicologia é pensar nos efeitos que o racismo traz na construção da subjetividade do sujeito. Racismo, na maioria das vezes, imprime marca negativa, que leva o sujeito a se enxergar de forma inferiorizada. O racismo promove humilhação, que atinge o sujeito naquilo que o constitui, sua identidade. A importância da Psicologia estar articulada, sensibilizada e trabalhando o tema é para que ela possa estar a serviço da população, a serviço de construir um sujeito mais pleno, mais saudável psiquicamente”, afirma Maria Lúcia.

Maria Lúcia

Cabe aos psicólogos colocar a sua prática a serviço da promoção da igualdade, da justiça e do respeito à diversidade, reconhecendo a necessidade do resgate das dívidas históricas do Brasil na relação com os negros brasileiros.

Fonte: Conselho Federal de Psicologia

No Novembro Negro, os brancos da vez...

Por Carlos Barros


Neste Novembro Negro, vêm de Sampa os brancos da vez...
O CQC é um programa da Band que tem assumido o papel de porta-voz do jornalismo humorístico moderninho na TV brasileira.
Seus apresentadores mostram, a cada segunda-feira, os acontecimentos do Brasil e do mundo pela lente de suas possíveis - e bem parciais - aulas de semiótica aplicada numa nuance bem particularizada...
Esta semana, uma premiação sobre personalidades negras em São Paulo foi motivo de uma matéria pra lá de interessante: Rafael Cortez (cujo sarcasmo constante nos desvia de observar características suas mais relevantes) adentrou o Teatro Municipal para flagrar e conversar com os envolvidos (quase todos negros) na festa.
Izabel Filardis, Tony Garrido, Milton Nascimento (o homenageado) foram clicados pela lente do CQC, cuja coloração é clara, clara, nada comparável à aura da Palco de Gil.
No estúdio, Marco Luque (curiosamente o menos branco de todos: seus cachinhos à la Carlos Barros não negam, mulata) responde à indagação de Marcelo Tas sobre o fato de Lenine, Fafá de Bélem e Jorge Vercilo (não negros) estarem naquele espaço teoricamente empretecido.
"Ora, os brancos precisam servir o café e lavar os banheiros, Marcelo..." é a incrível resposta do rapazola...
É Luque: não seria nada mal ver uma loura de olhos azuis lavar o banheiro com a mesma dignidade que o fazem tantos negros e mestiços pelo Brasil afora.
Receber uma xícara de café bem forte das mãos de uma Carelli, Cortez ou Scwarczman não seria de mal tom: as mãos brancas entregando aos negros (tantos Silva, Souza e da Conceição) serviços que há tanto tempo são realizados por mãos negras.
De fato, não seria ruim, mas não se trata disso, querido Luque: o evento não representou uma inversão de valores sociais em que os negros passariam à condição de senhores de engenho reinventando Gilberto Freyre.
O evento celebra a cada ano personalidades que contribuem com a causa da negritude (acho que o Luque nem sabe o que é isso) no Brasil, com  a necessidade de que não achemos natural que apenas negros lavem nossas privadas...
O evento contou com Lenine - o reinventor do violão percussivo e contemporâneo, no Brasil -, Jorge Vercilo - cujos belos agudos são produzidos por uma laringe mestiça e de cabelos originalmente encaracolados e com Fafá de Bélem, cuja obra está inevitavelmente associada a causas importantes deste país, como demonstra sua inserção nos debates sobre as Diretas Já.
Estes artistas não foram chamados para lavar a louça dos negros da elite.
Estes artistas não se prestam à piada infame do CQC sobre os papéis sociais no Brasil.
Ele, Marco Luque, mestiço recorrentemente tratado como motivo de piada pelos anéis de seus cabelos (outrora enaltecidos por Roberto Carlos ao homenagear Caetano) e peça chave na configuração do programa televisivo, precisa concordar que os negros e os brancos e os mestiços e os cafuzos e os índios e os viados e as sapatas, etc vivem numa realidade caracterizada pela emergência do diverso, leia-se plural.
É tão importante ter Milton Nascimento no palco, quanto Milton Santos na Geografia; Lázaro Ramos nas telas quanto Luislinda Valois no Direito.
Seria importante, também, ter menos melanina lavando nossas sujeiras?
Essa pegou você, não é Marco Luque?
E como bem me lembrou Marlon Marcos em mais uma de nossas conversas sobre o mundo: vamos citar Gilberto Gil num momento de lucidez ácida em 1985:

A mão da limpeza

Gilberto Gil

O branco inventou que o negro
Quando não suja na entrada
Vai sujar na saída, ê
Imagina só
Vai sujar na saída, ê
Imagina só
Que mentira danada, ê

Na verdade a mão escrava
Passava a vida limpando
O que o branco sujava, ê
Imagina só
O que o branco sujava, ê
Imagina só
O que o negro penava, ê

Mesmo depois de abolida a escravidão
Negra é a mão
De quem faz a limpeza
Lavando a roupa encardida, esfregando o chão
Negra é a mão
É a mão da pureza

Negra é a vida consumida ao pé do fogão
Negra é a mão
Nos preparando a mesa
Limpando as manchas do mundo com água e sabão
Negra é a mão
De imaculada nobreza

Na verdade a mão escrava
Passava a vida limpando
O que o branco sujava, ê
Imagina só
O que o branco sujava, ê
Imagina só
Eta branco sujão!

A canção está no disco Raça Humana.
Podemos ouvi-la em http://www.gilbertogil.com.br/
Texto originalmente publicado em http://www.cantigavemdoceu.blogspot.com/

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Cartilha: Cotas Raciais, por que sim?

A Prefeitura Municipal de Salvador,através da Secretaria Municipal da Reparação em parceria com a SECULT e o IBASE estará realizando o lançamento da Cartilha Cotas Raciais, por que sim? ,  que acontecerá no dia 25/11 a partir das 14h no auditório do Ministério Público em Nazaré.

Este é mais um evento da Agenda Afirmativa da Secretária Municipal da Reparação.
 
Será fornecido certificado!

Psicologia, Relações Raciais e Políticas Públicas

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Lobato e as Crianças

Por: Ana Maria Gongalves


Não é sobre você que devemos falar
Monteiro Lobato: um homem com um projeto para além do seu tempo - Caçadas de Pedrinho, publicado em 1933, teve origem em A caçada da onça, de 1924. Portanto, poucas décadas após a abolição da
escravatura, que aconteceu sem que houvesse qualquer ação que reabilitasse a figura do negro, que durante séculos havia sido rebaixada para se justificasse moralmente a escravidão, e sem um processo que incorporasse os novos libertos ao tecido da sociedade brasileira. Os ex-escravos continuaram relegados à condição de cidadãos de segunda classe e o preconceito era aceito com total normalidade. Eles representavam o cisco incômodo grudado à retina, o "corpo imperfeito" dentro de uma sociedade que, a todo custo, buscava maneiras de encobri-lo, desbotá-lo ou eliminá-lo, contando com a colaboração de médicos, políticos, religiosos e outros homens influentes daquela ápoca. Um desses homens foi o médico Renato Kehl, propagador no Brasil das idéias do sociólogo e psicólogo francês
Gustave Le Bon, que defendia a "superioridade racial e correlacionava as raças humanas com as espécies animais, baseando-se em critérios anatômicos como a cor da pele e o formato do crânio", segundo o livro Raça Pura, - Uma história da eugenia no Brasil e no mundo, de Pietra Diwan para a Editora Contexto. Renato Kehl reuniu ao seu redor uma ampla rede de intelectuais, com quem trocava correspondência e ideias constantemente, todos adeptos, defensores e propagadores da eugenia, assim definida por ele em 1917: "É a ciência da boa geração. Ela nãovisa, como parecerá a muitos,  unicamente proteger a humanidade do cogumelar de gentes feias".
Em 1918 foi fundada a Sociedade Eugênica de São Paulo - SESP, contando com cerca de 140 associados, entre médicos e membros de diversos setores da sociedade que estavam dispostos a "discutir a nacionalidade a partir de questões biológicas e sociais", tendo em sua diretoria figuras importantes como Arnaldo Vieira de Carvalho, Olegário de Moura, Renato Kehl, T. H. de Alvarenga, Xavier da Silveira, Arhur Neiva, Franco da Rocha e Rubião Meira. A sociedade, suas reuniões e
ideias eram amplamente divulgadas e festejadas pela imprensa, e seus membros publicavam em jornais de grande circulação como Jornal do Commercio, Correio Paulistano e O Estado de São Paulo. Lobato, como um homem de seu tempo, não ficaria imune ao movimento, e em abril de 1918 escreve a Renato Kehl: "Confesso-me envergonhado por só agora travar conhecimento com um espírito tão brilhante quanto o seu, voltado para tão nobres ideais e servido, na expressão do pensamento, por um estilo
verdadeiramente "eugênico", pela clareza, equilíbrio e rigor vernacular." Era o início de uma grande amizade e de uma correspondência ininterrupta até pelo menos 1946, dois anos antes da morte de Monteiro Lobato. Os eugenistas agiam em várias frentes, como a questão sanitária/higienista, que Lobato trata em Urupês, livro de contos onde nasce o famoso personagem Jeca Tatu, ou a racial, sobre a
qual me aterei tomando como ponto de partida outro trecho de uma das cartas de Monteiro Lobato a Renato Kehl: "Renato, Tú és o pai da eugenia no Brasil e a ti devia eu dedicar meu Choque, grito de guerra pró-eugenia. Vejo que errei não te pondo lá no frontispício, mas perdoai a este estropeado amigo. [...] Precisamos lançar, vulgarizar estas idéias. A humanidade pecisa de uma coisa só: póda. É como a vinha. Lobato."
O livro mencionado é O Choque das raças ou o presidente negro, de 1926, que Lobato escreveu pensando em sua publicação nos Estados Unidos, para onde ele se mudou para ocupar o cargo de adido cultural no consulado brasileiro de Nova York. Em carta ao amigo Godofredo Rangel, Lobato comenta: "Um romance americano, isto é, editável nos Estados Unidos(...). Meio à Wells, com visão do futuro. O clou será o choque da raça negra com a branca, quando a primeira, cujo índice de proliferação é maior, alcançar a raça branca e batê-la nas urnas, elegendo um presidente negro! Acontecem coisas tremendas, mas vence por fim a inteligência do branco. Consegue por meio de raios N. inventados pelo professor Brown, esterilizar os negros sem que estes se dêem pela coisa". Resumindo bastante, as coisas tremendas são: em 2.228, três partidos concorrem às eleições presidenciais americanas. O partido dos homens brancos, que pretende reeleger o presidente Kerlog, o partido das mulheres, que concorre com a feminista Evelyn Astor, e o partido dos negros, representado por Jim Roy. Com a divisão dos
brancos entre homens e mulheres, os negros se tornam maioria e Jim Roy é eleito. Não se conformando com a derrota, homens e mulheres brancos se unem e usam "a inteligência" para eliminar a raça negra, através de uma substância esterilizante colocada em um produto para alisamento de cabelos crespos.
A composição dos partidos políticos parece ter sido inspirada por um dos livros preferidos de Lobato, que sempre o recomendava aos amigos, o L’Homme et les Sociètes (1881) de Gustave Le Bon. Nesse livro, Le Bon diz que os seres humanos foram criados de maneira desigual, condena a miscigenação como fator de degradação racial e afirma que as mulheres, de qualquer raça, são inferiores até mesmo aos homens de raças inferiores. Lobato acreditava que tinha encontrado a fórmula para ficar milionário, como diz em 1926: "Minhas esperanças estão todas na América. Mas o 'Choque' só em fins de janeiro estará traduzido para o inglês, de modo que só lá pelo segundo semestre verei dólares. Mas os verei e à beça, já não resta a menor dúvida". Com o sucesso do livro, ele esperava também difundir no Brasil a ideia da segregação racial, nos moldes americanos, mas logo teve suas esperanças frustradas, como confidência ao amigo Godofredo Rangel: "Meu romance não encontra editor. [...]. Acham-no ofensivo à dignidade americana, visto admitir que depois de tanto séculos de progresso moral possa este povo, coletivamente, cometer a sangue frio o belo crime que sugeri. Errei vindo cá tão verde. Devia ter vindo no tempo em que eles linchavam os negros." Deve ter sido uma grande decepção para Lobato e seus projetos grandiosos, visto que, em carta de 1930, também a Godofredo Rangel, ele admite fazer uso da literatura para se dizer o que não pode ser dito às claras: "é um processo indireto de fazer eugenia, e os processos indiretos, no Brasil, 'work' muito mais eficientemente".
Achei importante contextualizar esse livro porque acredito que todos que estão me lendo são adultos, alfabetizados, com um certo nível cultural e, portanto, público alvo desse romance adulto de Monteiro
Lobato. Sendo assim, peço que me respondam com sinceridade: quantos de vocês teriam sido capazes de, sem qualquer auxílio, sem qualquer contextualização, realmente entender o que há por trás de O Choque das raças ou o presidente negro? Digo isso porque me lembro que, na época das eleições americanas, estávamos quase todos (sim, eu também, antes de ler o livro) louvando a genialidade do visionário e moderno Monteiro Lobato em prever que os Estados Unidos, um dia, elegeriam um
presidente negro, que tinha concorrido primeiro com uma mulher branca e depois com um homem branco. Mas há também o que está por detrás das palavras, das intenções, e achei importante contextualizá-las, mesmo sendo nós adultos, educados, socialmente privilegiados.
O lugar do outro - Peço agora que você faça um exercício: imagine uma criança na sala de aula das escolas públicas de ensino médio e fundamental no Brasil. Negra. Sei que não deve ser fácil colocar-se
sob a pele de uma criança negra, por isso penso em alternativas. Tente se colocar sob a pele de uma criança judia numa sala de aula na Alemanha dos anos 30 e ouça, por exemplo, comentários preconceituosos em relação aos judeus: "............ ...........", ".......................... ...... .. ....". Ou então, ponha-se no lugar de uma criança com necessidades especiais e ouça comentários alusivos ao seu
"defeito": "............. ............", "...............................". Talvez agora você já consiga sentir na pele o que
significa ser essa criança negra e perceber a carga histórica dessas palavras sendo arrastada desde séculos passados: "macaca de carvão", "carne preta" ou "urubu fedorento", tudo lá, em Caçadas de Pedrinho, onde "negra" também é vocativo. Sim, sei que "não se fala mais assim", que "os tempos eram outros". Mas sim, também sei que as palavras andam cheias de significados, impregnadas das maldades que já cometeram, como lâminas que conservam o corte por estarem sempre ali, arrancando casca sobre casca de uma ferida que nunca acaba de cicatrizar. Fique um pouco de tempo lá, no lugar dessa criança, e tente entender como ela se sente. Herdeira dessa ferida da qual ela vai ter que aprender a tomar conta e passar adiante, como antes tinham feito seus pais, avós, bisavós e tataravós, de quem ela também herdou os lábios grossos, o cabelo crespo, o nariz achatado, a pele escura. Dói há séculos essa
ferida: "Em nós, até a cor é um defeito. Um imperdoável mal de nascença, o estigma de um crime." Luiz Gama
Volte agora para o seu lugar e se ouça falando coisas do tipo: "Eu li Monteiro Lobato na infância e não me tornei racista", ou "Eu nunca me identifiquei com o que a Emília disse", ou "Eu não acho que chamar
alguém de macaco seja racista", ou "Eu acho que não tem nada de ofensivo", ou "Eu me recuso a ver Lobato como racista", ou "Eu acho um absurdo que façam isso com um autor cuja leitura me deu tanto prazer".
Se você não é parte do problema, nem como negro nem como racista, por que se colocar no centro da discussão? Você também já não é mais criança, e talvez seja a hora de entender que nem todas as verdades giram em torno do seu ponto de vista. Quando criança, talvez você tenha crescido ouvindo ou lendo expressões assim, sempre achando que não ofendiam, que eram de brincadeira e, portanto, agora, ache que não há importância alguma que continuem sendo ditas em livros dados na escola. Talvez você pense que nunca tenham te afetado. Mas acredito que, se você continuar não conseguindo se colocar sob a pele de uma criança negra e pelo menos resvalar a dor e a solidão que é enfrentar, todos os dias, o peso dos significados, ouso arriscar que você pode estar enganado. Elas podem ter tirado de você a sensibilidade para se solidarizar com esse grave problema alheio: o racismo. Sim, porque tenho a sensação de que racismo sempre foi tratado como problema alheio - é o outro quem sofre e é o outro quem dissemina -, mesmo sua erradicação sendo discutida no mundo inteiro como direitos humanos.
Direitos de todos nós. Humanos. Direito de sermos tratados com dignidade e respeito. E é sobre isso que devemos falar. Não sobre você.
Esse é um assunto sério, para ser discutido por profissionais que estejam familiarizados com racismo, educação infantil e capacitação de professores, e que inclusive podem contar com o respaldo do Estatuto da Criança e do Adolescente, instituído em 1990 pela Lei 8.069.
Destaco dois artigos do Capítulo II - Do Direito à Liberdade, ao Respeito e à Dignidade: Art. 15. A criança e o adolescente têm direito à liberdade, ao respeito e à dignidade como pessoas humanas em processo de desenvolvimento e como sujeitos de direitos civis, humanos e sociais garantidos na Constituição e nas leis.
Art. 18. É dever de todos velar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor. Combate ao racismo no Brasil ‘Só porque eu sou preta elas falam que não tomo banho. Ficam me xingando de preta cor de carvão. Ela me xingou de preta fedida. Eu contei à professora e ela não fez nada''
[Por que não querem brincar com ela]‘‘Porque sou preta. A gente estava brincando de mamãe. A Catarina branca falou: eu não vou ser tia dela (da própria criança que está narrando). A Camila, que é branca, não tem nojo de mim''. A pesquisadora pergunta: ‘‘E as outras crianças têm nojo de você?'' Responde a garota: ‘‘Têm''. Depoimento de crianças de 6 anos no livro "Do Silêncio do Lar ao
Silêncio Escolar: racismo, discriminação e preconceito na educação infantil", de Eliane Cavalleiro - Editora Contexto.
Colocando-se no centro da discussão, como se a "censura" não existente ao livro de Lobato as ofendesse pessoalmente, e como se fosse só isso que importasse nessa discussão, tenho visto várias pessoas fazendo os comentários mais absurdos, inclusive interpretando e manipulando outros textos ficcionais de Lobato para provar que ele não era racista, ou que era apenas um homem do seu tempo. Algo muito importante que não devemos nos esquecer é que nós também somos homens e mulheres do nosso tempo, e que a todo momento estamos decidindo o que a História escreverá sobre nós. Tenho visto também levarem a discussão para o cenário político, no rastro de um processo eleitoral que fez aflorar medos e sentimentos antes restritos ao lugar da vergonha, dizendo que a "censura" à obra de Lobato é mais um ato de um governo autoritário que quer estabelecer a doutrina de pensamento no
Brasil, eliminando o livre-pensar e interferindo na sagrada relação de leitores com seus livros. Dizem ainda que, continuando assim, daqui a pouco estaremos proibindo a leitura de Os Sertões, Macunaíma, Grande Sertão: Veredas, O Cortiço, Odisséia, Dom Casmurro etc, esquecendo-se de que, para fins de comparação, esses livros também teriam que ser distribuídos para o mesmo público, nas mesmas condições. Às vezes parece-me mais uma estratégia para, mais uma vez, mudar de assunto, tirar o foco do racismo e embolar o meio de campo com outros tabus mais democráticos como o estupro, o incesto, a traição, a violência, a xenofobia, a homofobia ou o aborto. Tabus que, afinal de contas, podem dizer respeitos a todos nós, sejamos brancos ou negros. Sim, há que se lutar em várias frentes, mas hoje peço que todos apaguem um pouco os holofotes que jogaram sobre si mesmos e suas liberdades cerceadas,
concentrem-se nas palavra "racismo" e "criança", mesmo que possa parecer inaceitável vê-las assim, uma tão pertinho da outra, dêem uma olhada no árduo e necessário processo que nos permite questionar, nos dias de hoje e dentro da lei, se Caçadas de Pedrinho é mesmo um livro indicado para discutir racismo nas salas de aula brasileiras.
Os motivos do parecer - De acordo com a Coordenação Geral de Material Didático do MEC, a avaliação das obras que compõem o Programa Nacional Biblioteca da Escola são feitas por especialistas de acordo com os seguintes critérios: "(...) a qualidade textual, a adequação temática, a ausência de preconceitos, estereótipos ou doutrinações, a qualidade gráfica e o potencial de leitura considerando o público-alvo". A simples aplicação dos critérios já seria suficiente para que o livro
Caçadas de Pedrinho deixasse de fazer parte da lista do MEC. No parecer apresentado ao Conselho Nacional da Educação pela Secretaria da Educação do Distrito Federal, a professora Nilma Lino Gomes, da UFMG, salienta que o livro faz “menção revestida de estereotipia ao negro e ao universo africano, que se repete em vários trechos”.
Destaco alguns: "Tia Nastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou na árvore que nem uma macaca de carvão”, ou (ao falar de um possível ataque por parte de onças) "Não vai escapar ninguém - nem Tia Nastácia, que tem carne preta", ou "E aves, desde o negro urubu fedorento até essa joia de asas que se chama beija-flor". Muita gente diz que contextualizar a presença no texto de trechos e expressões como essas seria menosprezar a inteligência de nossas crianças, que entenderiam imediatamente que não se faz mais isso, que a nossa sociedade se transformou e que atitudes assim são condenáveis.
Aos que pensam assim, seria importante também levar em conta que "macaco", "carvão", "urubu" e "fedorento" ainda são xingamentos bastante usados contra os negros, inclusive em "inocentes
brincadeiras" infantis durante os recreios nas nossas escolas por esse Brasil afora. E não apenas nas escolas, pois também são ouvidos nas ruas, nos ambientes de trabalho, nos estádios de futebol, nas
delegacias de polícia e até mesmo nos olhares dos que pensam assim mas que, por medo da lei, não ousam dizer. Apesar disso, em reconhecimento ao importante caráter literário da obra de Monteiro Lobato, optou-se por sugerir que a obra fosse contextualizada e somente adotada por
educadores que tenham compreensão dos processos geradores do racismo brasileiro. Como se fosse um problema fácil de compreender.
Pensando aqui com meus botões, sou capaz de me lembrar de inúmeras obras infanto-juvenis que valorizam o negro e tratam racismo com a seriedade e o respeito que o assunto merece, e que foram editadas principalmente depois da Lei 10.639/03, que inclui nos ensinos fundamental e médio a História e a herança africanas. Posso estar errada, mas me parece que Caçadas de Pedrinho entrou para o Programa Nacional Biblioteca da Escola antes disso; sendo o contrário, pela lei, nem deveria ter entrado. Há maneiras muito mais saudáveis, responsáveis e produtivas de se levar o tema para dentro da escola sem ter que expor as crianças ao fogo para lhes mostrar que queima; e sem brigada de incêndio por perto. Isso é maldade, ou desconhecimento de causa.
A causa - a luta pela igualdade de oportunidades no Brasil - Vou relembrar apenas fatos dos períodos mais recentes, que talvez tenham sido vividos e esquecidos, ou simplesmente ignorados, pela maioria das pessoas que hoje brada contra o "politicamente correto" da esquerda brasileira. Um breve histórico das últimas três décadas e meia:
1984 - o governo do General João Batista de Oliveira Figueiredo decreta a Serra da Barriga, onde tinha existido o Quilombo dos Palmares, como Patrimônio Histórico Brasileiro, num ato que reconhece, pela primeira vez, a resistência e a luta do negro contra a escravidão.
1988 - Durante as comemorações pelo Centenário da Abolição, o governo de José Sarney cria a Fundação Cultural Palmares, vinculada ao Ministério da Cultura, que terá como meta apoiar e desenvolver iniciativas que auxiliem a ascensão social da população negra. Ainda nesse ano é promulgada a nova Constituição que, no seu artigo 5º, XLII, reconhece o racismo como crime inafiançável e imprescritível, ao mesmo tempo em que abre caminho para se estabelecer a legalidade das ações afirmativas, ao legislar sobre direitos sociais, reconhecendo os problemas de restrições em relação aos portadores de deficiências e de discriminação racial, étnica e de gênero.
1995 - durante o governo de FHC adota-se a primeira política de cotas, estabelecendo que as mulheres devem ocupar 30% das vagas para as candidaturas de todos os partidos. Nesse mesmo ano, em novembro, acontece em Brasília a Marcha Zumbi contra o Racismo, pela Cidadania e a Vida, quando foi entregue ao governo o Programa de Superação do Racismo e da Desigualdade Racial, com as seguintes sugestões: incorporar o quesito cor em diversos sistemas de informação; estabelecer incentivos fiscais às empresas que adotarem programas de promoção da igualdade racial; instalar, no âmbito do Ministério do Trabalho, a Câmara Permanente de Promoção da Igualdade, que deverá se
ocupar de diagnósticos e proposição de políticas de promoção da igualdade no trabalho; regulamentar o artigo da Constituição Federal que prevê a proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos, nos termos da lei; implementar a Convenção Sobre Eliminação da Discriminação Racial no Ensino; conceder bolsas remuneradas para adolescentes negros de baixa renda, para o acesso e conclusão do primeiro e segundo graus; desenvolver ações afirmativas para o acesso dos negros aos cursos profissionalizantes, à universidade e às áreas de tecnologia de ponta; assegurar a representação proporcional dos grupos étnicos raciais nas campanhas de comunicação do governo e de entidades que com ele mantenham relações econômicas e políticas. Como resposta, em 20 de novembro de 1995, Fernando Henrique Cardoso cria, por decreto, o Grupo de Trabalho Interministerial - GTI - composto por oito membros da sociedade civil pertencentes ao Movimento Negro, oito membros de Ministérios governamentais e dois de Secretarias, encarregados de propor ações de combate à discriminação racial, promover políticas governamentais antidiscriminatórias e de consolidação da cidadania da população negra e apoiar iniciativas públicas e privadas com a mesma finalidade.
Como base para o GTI foram utilizados vários tratados internacionais, como a Convenção n.111, da Organização Internacional do Trabalho -OIT, assinada pelo então presidente Costa e Silva naquela fatídico ano de 1968, no qual o país se comprometia, sem ter cumprido, a formular e implementar políticas nacionais de promoção da igualdade de oportunidades e de tratamento no mercado de trabalho. Somente após pressão e protestos da sociedade civil e da Central Única dos Trabalhadores, é então criado o Grupo de Trabalho para Eliminação da Discriminação no Emprego e na Ocupação - GTEDEO, composto por representantes do Poder Executivo e de entidades patronais e sindicais, também no ano de 1995.
1996 - A recém criada Secretaria de Direitos Humanos lança, em 13 de maio, o Programa Nacional de Direitos Humanos - PNHD, que tinha entre seus objetivos "desenvolver ações afirmativas para o acesso dos negros aos cursos profissionalizantes, à universidade e às áreas de tecnologia de ponta", "formular políticas compensatórias que promovam social e economicamente a comunidade negra" e "apoiar as ações da iniciativa privada que realizem discriminação positiva".
2002 - no final do governo de Fernando Henrique Cardoso foi lançado o II Plano Nacional de Direitos Humanos, que reconhece os males e os efeitos ainda vigentes causados pela escravidão, então tratada como crime contra a humanidade.
2003 - o governo de Luiz Inácio Lula da Silva promulga o decreto que reconhece a competência do Comitê Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial - CERD, para analisar denúncias de violação de direitos humanos, como previsto no art. 14 da Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, de 7 de março de 1966. Também em 2003 é criada a Secretaria Especial de Política de Promoção da Igualdade Racial - SEPIR e, subordinada a ela, o Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial - CNPIR, visando apoio não apenas à população negra, mas também a outros segmentos étnicos da população brasileira, combatendo o racismo, o preconceito e a discriminação racial, e tendo como meta reduzir as desigualdades
econômica, financeira, social, política e cultural, envolvendo e coordenando o trabalho conjunto de vários Ministérios. Nesse mesmo ano também é alterada a Lei 9.394, de 1996, que estabelece as diretrizes da educação nacional, para, através da Lei 10.639/03, incluir no currículo dos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, segundo seu artigo 26-A, I, "estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil."
2010 - entra em validade o Estatuto da Igualdade Racial que, entre outras coisas, define o que é discriminação racial ("distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada em etnia, descendência ou
origem nacional"), desigualdade racial ("situações injustificadas de diferenciação de acesso e oportunidades em virtude de etnia, descendência ou origem nacional"), e regula ações referentes às áreas educacional, de propriedade rural, comunidades quilombolas, trabalhista, cultural, religiosa, violência policial etc.
A "caçada" a Caçadas de Pedrinho - Acima estão apenas alguns dos "melhores momentos" da luta contra o racismo e a desigualdade. Há vários outros que deixo de fora por não estarem diretamente ligados ao caso. Eu quis apenas mostrar que o parecer do MEC não é baseado em mero capricho de um cidadão que se sentiu ofendido pelas passagens racistas de Caçadas de Pedrinho, mas conta com o respaldo legal, moral e sensível de ativistas e educadores que há anos estão lutando para estabelecer políticas que combatam o racismo e promovam a formação não apenas de alunos, mas de cidadãos.
Em junho de 2010, o Sr. Antônio Gomes da Costa Neto (Técnico em Gestão Educacional da Secretaria do Estado da Educação do Distrito Federal, mestrando da UnB em Educação e Políticas Públicas: Gênero, Raça/Etnia e Juventude, na linha de pesquisa em Educação das Relações Raciais) encaminhou à SEPPIR denúncia de conteúdo racista no livro Caçadas de Pedrinho. A SEPPIR, por sua vez, achando a denúncia procedente, protocolou-a no Conselho Nacional de Educação. Foi providenciado um parecer técnico, por pedido da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD/MEC), realizado pela técnica Maria Auxiliadora Lopes, que é subcoordenadora de Educação Quilombola do MEC, e aprovado pelo Diretor de Educação para a Diversidade, Sr. Armênio Bello Schimdt. O parecer técnico diz assim:
"A obra CAÇADAS DE PEDRINHO só deve ser utilizada no contexto da educação escolar quando o professor tiver a compreensão dos processos históricos que geram o racismo no Brasil. Isso não quer dizer que o fascínio de ouvir e contar histórias devam ser esquecidos; deve, na verdade, ser estimulado, mas há que se pensar em histórias que valorizem os diversos segmentos populacionais que formam a sociedade brasileira, dentre eles, o negro."
Em outro momento: "Diante do exposto, conclui-se que as discussões pedagógicas e políticas e as indagações apresentadas pelo requerente ao analisar o livro Caçadas de Pedrinho estão de acordo com o contexto atual do Estado brasileiro, o qual assume a política pública antirracista como uma política de Estado, baseada na Constituição Federal de 1988, que prevê no seu artigo 5º, inciso XLII, que a prática do racismo é crime inafiançável e imprescritível. É nesse contexto que se encontram as instituições escolares públicas e privadas, as quais, de acordo com a Lei nº 9.394/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), são orientadas legalmente, tanto no artigo 26 quanto no artigo 26A
(alterado pelas Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008), a implementarem nos currículos do Ensino Fundamental e no Ensino Médio o estudo das contribuições das diferentes culturas e etnias para a formação do povo brasileiro, especialmente as matrizes indígena, africana e européia, assim como a obrigatoriedade do estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena."
Não há censura, boicote ou banimento. O parecer técnico fala sobre orientação, contextualização, preparo do educador para trabalhar a obra na sala de aula. Ouvi pessoas bradando contra uma possível nota acrescentada ao livro, dizendo que isso em si já seria uma mordaça ou um desrespeito à obra de Lobato. Será que isso valeria também para a nota existente no livro, alertando as crianças que já não é mais politicamente correto atirar em onças? É assim:
"Caçadas de Pedrinho teve origem no livro A caçada da onça, escrito em 1924 por Monteiro Lobato. Mais tarde resolveu ampliar a história que chegou às livrarias em 1933 com o novo nome. Essa grande aventura da turma do Sitio do Picapau Amarelo acontece em um tempo em que os animais silvestres ainda não estavam protegidos pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA), nem a onça era uma espécie ameaçada de extinção, como nos dias de hoje." (p. 19).
Não que eu tenha nada contra as coitadas das onças, espécie ameaçada de extinção, mas será que as crianças não mereceriam também um pouco mais de consideração? O próprio Lobato, depois de ser acusado de ofender os camponeses com sua caracterização de Jeca Tatu como o responsável por sua própria miséria, reconhece o erro e pede desculpas públicas através do jornal O Estado de São Paulo, escrevendo também o mea-culpa que passaria a integrar a quarta edição de Urupês, em 1818:
"Eu ignorava que eras assim, meu caro Tatu, por motivo de doenças tremendas. Está provado que tens no sangue e nas tripas um jardim zoológico da pior espécie. É essa bicharada cruel que te faz feio,
molenga, inerte. Tens culpa disso? Claro que não". Ou seja, o próprio Lobato, nesse caso, levou em consideração o que é dito em uma de suas frases mais citadas por quem quer demonstrar a importância dos livros na formação de uma sociedade: "Um país se faz de homens e livros". Não devemos nos esquecer que, tanto na frase como no ato citado acima, ele coloca o homem em primeiro lugar.
Outras contextualizações - Não é a primeira vez que uma obra considerada clássica sofre críticas ou até mesmo revisões por causa de seu conteúdo racista. Aconteceu, por exemplo, com o álbum "Tintim no
Congo", do belga Hergé. Publicadas a partir de 1930, as tirinhas reunidas nesse álbum contam as histórias de Tintim em um Congo ocupado pela Bélgica. Por parte de Hergé, a obra foi revisada duas vezes, a primeira em 1946 e a segunda em 1970, reduzindo o comportamento paternalista dos belgas e suavizando algumas características mais caricaturadas dos personagens negros. Para justificá-las, Hergé declarou que as tiras tinham sido escritas "sob forte influência da época colonial", chamando-as de seu "pecado da juventude". O álbum revisado é publicado hoje no Brasil pela Companhia das Letras, a mesma editora de Caçadas de Pedrinho, e traz a seguinte nota de contextualização:
"Neste retrato do Congo Belga, hoje República Democrática do Congo, o jovem Hermé reproduz as atitudes colonialistas da época. Ele próprio admitiu que pintou o o povo africano de acordo com os estereótipos burgueses e paternalistas daquele tempo - uma interpretação que muitos leitores de hoje podem achar ofensiva. O mesmo se pode dizer do tratamento que dá à caçada de animais.”
Tintim na França - matéria reproduzida da France Presse e publicada na Folha de São Paulo, em 24/09/2007, conta que o O Movimento Contra o Racismo e pela Amizade entre os Povos (MRAP), uma das mais importantes organizações francesas contra o racismo, solicitou à editora Casterman que incluísse em suas edições de Tintim um alerta sobre o conteúdo e contra os preconceitos raciais. Outras organizações, como o Conselho Representante das Associações Negras (CRAN) já tinham se  manifestado contra o álbum anteriormente, chegando a solicitar, inclusive, que a editora parasse de publicá-lo. Segundo Patrick Lozès, presidente da CRAN, "os estereótipos sobre os negros são particularmente numerosos" e "os negros são mostrados como imbecis e até mesmo os cachorros e os
animais falam francês melhor".
Tintim na Inglaterra - em julho de 2007, depois de pronunciamento da Comissão Britânica pela Igualdade das Raças (BCRE), acusando o álbum de racista, uma das grandes redes de livrarias Britânicas resolveu passá-lo da prateleira de livros infantis para a prateleira de livros
para adultos, reconhecendo que os congoleses são tratados como "indígenas selvagens parecidos com macacos e que falam como imbecis".
Alguns anos antes, a editora britânica de Tintim no Congo, a Egmont, tinha se recusado a editar o álbum, voltando atrás por pressão de leitores, mas publicando-o com uma tarja de advertência sobre seu conteúdo ofensivo.
Tintim na Bélgica - um congolês, estudante da Universidade Livre de Bruxelas, entrou na justiça belga com queixa-denúncia e solicitação para que o álbum fosse retirado de circulação.
Tintim nos Estados Unidos - o álbum Tintim no Congo foi retirado das prateleiras da Biblioteca do Brooklyn, em Nova York, ficando disponível apenas para consulta solicitada.
Adaptações e a integridade de um clássico - Creio que alguns dos que hoje exaltam a genialidade do escritor Monteiro Lobato podem não tê-lo lido de fato, conhecendo seu universo através das diversas adaptações de suas obras para a televisão. Esses, com certeza, conhecem uma versão completamente filtrada do conteúdo dos livros; e seria interessante ficarem atentos os que reclamam de censura e de ditadura do politicamente correto. Segundo matéria do Estado de São Paulo em 01/11/2010, uma parceria entre a produtora Mixer e a Rede Globo levará ao ar em outubro de 2011 uma temporada em animação de 26 episódios baseada no Sítio do Picapau Amarelo. Em entrevista ao jornal, o diretor executivo da Mixer contou que "resquícios escravocratas em referência a Tia Nastácia serão  eliminados da versão". Outra mudança, segundo ele, é em relação ao pó de pirlimpimpim: "No original, eles aspiravam o pó e 'viajavam'. Na versão dos anos 80, eles jogavam o pó uns sobre os outros. Ainda não decidimos como será agora".
Ou seja, desde que foi para a televisão, a obra de Monteiro Lobato tem sido adaptada, suavizada, contaminada pelo "politicamente correto". Talvez seja essa a "lembrança" de boa parte dos que dizem não ver racismo na obra de Lobato. Não seria o caso de brigar para que as referências racistas sejam mantidas, porque assim os pais também podem discutir racismo com os filhos que assistem TV Globinho? Ou que o pó de pirlimpimpim volte a ser cheirado para que as crianças, em contato com uma possível incitação ao consumo de drogas e sem nenhuma orientação, descubram por si só que aquilo é errado? Ou é ilegal, como também o é a adoção no Programa Nacional Biblioteca da Escola de obras
que não obedeçam ao critério de ausência de preconceitos e estereótipos ou doutrinações.
Mesmo assim, o MEC pede apenas um preparo do educador, uma nota explicativa, uma contextualização. E as pessoas, principalmente as brancas, dizem que não pode, que é um absurdo, um desrespeito com o autor. Desrespeito maior é não se colocar no lugar das crianças negras
matriculadas no ensino público médio e fundamental, é não entender que uma nota explicativa que seja, uma palavrinha condenando o que nela causa tanta dor, pode não fazer diferença nenhuma na vida de adultos, brancos, classe média ou alta e crianças matriculadas em escolas particulares; mas fará uma diferença enorme nas vidas de quem nem é levado em conta quando se decide sobre o que pode ou não pode ferir seus sentimentos. Desrespeito é não reconhecer que o racismo nos divide em dois Brasis; um que se fosse habitado só por brancos (ricos e pobres), ocuparia o 30º lugar no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), e cairia para 104º lugar se fosse habitado só por negros (ricos e pobres). Ainda pretendo escrever um texto sobre manifestações de racismo na escola e sua influência nos primeiros anos de vida e de educação de brancos e negros. Mas, por enquanto, para quem chegou até
aqui e continua achando que não há nada demais em expressões como "macaca de carvão", "urubu fedorento", "beiço", "carne preta", seja nos dias de hoje ou nos dias de escravidão, deixo apenas uma frase que poderia ter sido dita por outro personagem negro de Monteiro Lobato:
"O vício do cachimbo deixa a boca torta".

Ana Maria Gonçalves, negra, escritora, autora de Um defeito de cor

domingo, 21 de novembro de 2010

Million Voices

Colaboração de Igor Leonardo Pinto dos Santos

Bença - Espetáculo do Bando de Teatro Olodum

BENÇA

Valter da Mata

Bença - foto promocional

"Esse chão aqui tem dono, chama por Deus e vombora”. São com essas palavras, na voz de Arlete Dias, que tem início Bença* , o novo espetáculo do Bando de Teatro Olodum, em cartaz em curtíssima temporada até o dia 28 de novembro de 2010.
Quem adentrar o Teatro Vila Velha atrás do riso fácil, cacos e improvisações, certamente sairá decepcionado. Longe do ritmo nervoso de seus espetáculos mais famosos como Cabaré da RRRRRRaça ou Ó Paí Ó, Bença vem juntar-se a O Novo Mundo, na linha dos trabalhos mais introspectivos do Bando, resgatando histórias e saberes afrobrasileiros.
Bença é um espetáculo denso, como diz o caderno é uma “homenagem ao tempo e aos mais velhos”. Possui um visual poderoso, é uma peça de imagens, onde a platéia é remetida a um passado não tão longínquo, para se  dar conta de como a modernidade pode ser prejudicial às relações humanas.
“Não pensem que quando vocês estão no palco representando, vocês estão sozinhos”, vaticina Makota Valdina através de um vídeo tape. E realmente não estamos sós, em Bença a atmosfera é repleta de seres imateriais, energia ancestral. O texto é denso e rico em informações auditivas , visuais e olfativas.

Makota Valdina Pinto

Senti-me extremamente incomodado ao ver minha imagem na tela, pois me deu a idéia de que eu também era um ancestral, que meu tempo sobre a terra tinha passado, me colocou em contato com minha finitude, com a minha transitoriedade, que efetivamente é algo que não pensamos. É um espetáculo complexo e belo, o texto de Márcio Meireles é uma celebração a ancestralidade, ao respeito e a sabedoria.
Essa sabedoria a que o espetáculo se refere é o conhecimento dos mais velhos. Conhecimento esse cada vez mais desprezado pela neurose urbana e do desenvolvimento tecnológico. “O tempo pede tempo ao tempo pra agir. E a gente às vezes, não entendendo o tempo, se sente atropelado. Mas se for manso com o tempo, convive com ele e chega onde deseja, né?”. Fala também através do vídeo Bule Bule, outro ator “ad hoc” desse lindo espetáculo.
Bença nos fala do respeito aos mais velhos, que é essencial nas diversas culturas vindas de África. Somos convidados a refletir a simplicidade de outrora das relações interpessoais e o sentido de se sentir abençoado pelos mais velhos através do simples pedido: bença. “Coisa que hoje está se perdendo. E que antigamente era até comum. Na vida comum você tinha isso nas famílias. As famílias negras sobretudo: tinha-se muito respeito, muita reverência com aqueles mais velhos”. Nos informa Makota Valdina em outro momento importante.

Cena de Bença

Quando o espetáculo se encerrou, simplesmente tive dificuldade de aplaudir. Não pela qualidade da peça ou do entendimento de que ali era o final da proposta (como aconteceu com algumas pessoas), mas sim pelo impacto que tais conteúdos me causaram, as reflexões que o espetáculo me conduziu.
Bença é pra ser assistida mais de uma vez, o palco é gigantesco e nele os lindos atores do Bando de Teatro cantam, dançam , tocam, filmam e representam com maestria. A coreografia de Zebrinha é contida e oportuna para o espetáculo, assim como o figurino clean de Zuarte Júnior.
Parabéns ao Bando de Teatro Olodum, que no seu aniversário de 20 anos, nos brinda com esse lindo presente.
Bença Bando!

*Bença é a forma que a palavra benção é dita no estado da Bahia.

sábado, 20 de novembro de 2010

Momento Dandara

Culinária e samba no pé em homenagem às mulheres negras da Bahia


Neste domingo (21), a partir das 12h, a Praça das Artes, no Pelourinho, será cenário de um espetáculo que reúne dois pilares da cultura baiana: culinária e música. O Momento Dandara, entre sons e sabores, mais do que isso, reproduz a busca da visibilidade ao trabalho de mulheres negras baianas em diferentes segmentos. O evento é uma realização da Secretaria de Promoção da Igualdade (Sepromi), com apoio da Secretaria de Cultura do Estado (Secult), através Instituto do Patrimônio Artístico e Cultura (Ipac/Pelourinho Cultural).
Como o nome já sugere, o Momento faz alusão à Dandara, conhecida como uma mulher negra guerreira e valente. E, assim como ela, nesta primeira edição, as homenageadas serão a microempresária Aidil Moreira, mais conhecida com Ginga, e a sambista Gal do Beco. “Elas estão representando outras dezenas de mulheres, que desempenham funções parecidas, são reconhecidas em suas comunidades, mas nem sempre se destacam como deveriam na sociedade”, comenta a titular da Sepromi, Luiza Bairros.
A entrada é franca e as homenageadas dão o tom da festa. A proposta principal é criar um espaço amplo de interação entre a culinária e a musicalidade, bem como fomentar o conceito da campanha do Novembro Negro 2010: Combate ao Racismo e Promoção da Igualdade. O Momento Dandara faz parte da agenda do Novembro Negro, que abriga uma série de atividades focadas na promoção da igualdade racial. Assim como em anos anteriores, o projeto é coordenado pela Sepromi, ancorado em campanha publicitária alusiva ao Mês da Consciência Negra, mas engloba iniciativas da sociedade civil, do governo estadual e de prefeituras.
Este ano, também, o Governo da Bahia reforça o compromisso com a missão de promover a igualdade racial e de gênero no estado, ao fechar o ciclo dos primeiros quatro anos de instituição da Sepromi. A idéia é estimular o interesse na cultura e na arte afrobrasileira, e no respeito à presença feminina nas sociedades.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Consciência negra: o mito da democracia racial, por Kabengele Munanga

Kabengele Munanga, natural do Congo, chegou no Brasil em 1975. Na Universidade de São Paulo se dedicou a estudar e ensinar as relações raciais e interétnicas. É referência na luta contra a desigualdade racial e pelo respeito à população negra do país. Neste texto, que integra o volume 6 da coleção “2003-2010 O Brasil em transformação”, organizado por Matilde Ribeiro (edição da Editora Fundação Perseu Abramo, no prelo), o professor Kabengele fala sobre as políticas afirmativas a partir do governo Lula, o mito da democracia racial, a presença do racismo na sociedade brasileira e o papel da mídia na manutenção do status quo. O professor também aponta os desafios para o país e para o novo governo e fala sobre suas expectativas.

Para conferir o artigo na íntegra, clique aqui:  Artigo Munanga

Barracão Negr@s Fashion

"A cota pode interfirir na obra do estilista. Na Fashion Week já tem muito negro nos serviços gerais,costurando,fazendo modelagem,muitos com mãos de ouro, fazendo coisas lindas,tem negros assistentes,vendedoras,por que tem de estar na passarela?" A afirmação é atribuída à estilista Glória Coelho.



O Projeto, denominado Barracão Nmailto:Negr@s Fashion, um mergulho nas questões étnico raciais em seus objetivos visa promover através de um desfile de moda Afro Fashion,com foco na ancestralidade e as vestimentas do povo de santo como a roupa de  ração,abadás,africanas, kafitas,panos da costa,alakas,entre outros como o social negro.Incluindo na programação(em anexo) a cultura negra com a Feira Étnico Afro Fashion,Culinaria Afro-Brasileira,Apresentações Artísticas,Palestras Informativas. Assim ser consciente do papel que desempenhamos e os que querem que tenhamos sempre coadjuvantes da cultura em que fomos os verdadeiros protagonistas, oun seja o papel principal é nosso. O Barracão é para a reflexão,a valorização da beleza negra aos partícipes e convidados,elevando a auto-estima dos mesmos,repensar valores e atitudes racistas,provocar a conscientização da situação do negro na sociedade brasileira e a valorização da cultura afro-brasileira e a identidade étnico-racial.
 

NEGRAS E NEGROS BELOS, NA MÍDIA, NOS SHOPPING, NAS UNIVERSIDADES, NOS CARGOS PÚBLICOS, NO PODER, EMPRESÁRIOS, NAS PASSARELAS SIM !   

PRODUÇÃO BARRAcÂO NEGR@S FASHION

Rosy Mary Oliveira 8825-3142
rosyrasta@yahoo.com.br
Iaraci Brito - 8878-6023
passarosdasaguas@gmail.com

 

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Zumbi(do) na Consciência - LIvraria Saraiva (Iguatemi)

Usos e Abusos de Símbolos Raciais nos Anúncios da Benetton

Elder Vargão é Entrevistado pelo Instituto Steve Biko

Elder Vargão foi estudante do Instituto Steve Biko, ong que tem por objetivo capacitar indivíduos negros para ocuparem lugares estratégicos na sociedade.
Estudante de Psicologia na Universidade Federal da Bahia e membro do Grupo de Trabalho de Psicologia e Relações Raciais do CRP 03, Elder abre o coração e discursa sobre seu passado, presente e fututo.

Dentre muitas outras coisas, Elder nos presenteia com uma poesia:

"Farol

Darei o peito à flecha,

Mas não renunciarei o onírico.
Serei águia e libra, esplêndida força.

E no argumento ontológico vou preterir o lógico.

Assim, pagarei a ferro o meu amor pela vida.

Desse modo, quando dardos incidirem minha atmosfera,

em uníssono com gritos do meu último pleito.

Não desisto!

Porque sou Bikudo, ave egípcia que explode das ruínas,
sou fênix!!!"



Entrevista com Elder Vargão

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

A Pobreza Enquanto Negócio

Valter da Mata*
Assistir os 104 minutos do filme de Sérgio Bianchi, Quanto vale ou é por quilo? (2005), não é uma das tarefas mais agradáveis. Livre adaptação do conto “Pai Contra Mãe” , de Machado de Assis e entrecortado com pequenas crônicas sobre a escravidão, extraídas dos autos do Arquivo Nacional do Rio de Janeiro, o filme expõe as mazelas e contradições de um país que ainda procura seu caminho para seu desenvolvimento ético e moral.
Num tom semi-documental, o filme nos introduz ao universo nada glamouroso das atividades das Organizações Não Governamentais (ONGs). O que fica explícito é que a pobreza e a miséria são tratadas como um negócio muito lucrativo e a exploração dessas se revela num jogo cruel, onde o que vale é o quanto se ganha. No longa vemos como os projetos sociais servem de pretexto para toda sorte de falcatruas e negociatas como lavagem de dinheiro, desvio de verbas, enriquecimento ilícito, sonegação fiscal, entre outras.

Fica difícil rotular mocinhos e bandidos nesse caldeirão caótico. Na melhor linha ‘farinha pouca, meu pirão primeiro’, os personagens mostram uma completa falta de ética e desde que eles possam levar vantagem em algo, tudo é válido e justificável. Ricos e pobres, homens e mulheres, negros e brancos, todos ajudam a compor um quadro grotesco de injustiça e mesquinharia.

As relações raciais aqui são retratadas de forma interessante, numa comparação entre o Brasil Império e o Brasil Conteporâneo. As associações são diretas, sem direito a elaborações mais sofisticadas. A senzala vira favela e periferia e os escravos agora se chamam assalariados ou desempregados, sem direito a ração diária. Quadro curioso é o retrato do Capitão do Mato, enquanto no Brasil Império, este personagem ganhava a vida a perseguir e capturar negros escravizados fugidos, nos tempos atuais continuam a sujar suas mãos de sangue, fazendo o trabalho sujo para os senhores de engenho, metamorfeados em polícia e grupos de extermínio.

A exploração da pobreza é aqui apresentada, num discurso cínico justificador de algo que gera emprego e renda. As ONGs são dirigidas por pessoas que tem asco do público alvo, não se importando com as reais necessidades desses grupos oprimidos. Na verdade esses grupos são vistos como peças descartáveis, engrenagens de uma máquina que as devoram. Os projetos são pensados fora de qualquer necessidade real da comunidade, são decididos em gabinetes e o critério básico é quanto cada participantes do planejamento, assim como como e quanto sua curriola irá lucrar com a execução do projeto.

Programas de inclusão digital que só ensinam os jovens a lidar com orkut e msn, programas de cunho religioso sem o menor respaldo científico para combate ao vício de drogas, cursos de artesanato, dança, instrumentos musicais e toda sorte de “capacitação profissional” são oferecidas sem a menor participação daqueles que são o público alvo. Tudo isso com o consentimento do governo, que injeta milhões de reais nesses programas e os repassam às ONGs gerirem esses recursos.

Para quem não entra no esquemão das negociatas e atividades ilícitas, só restam as migalhas. E por falar de migalha, o quão é chocante a cena na qual um grupo de manifestantes indignados com a corrupção de um gestor dessas ONGs, cala-se imediatamente quando são convidados a participar de uma festa em homenagem ao própio corrupto. A suntuosidade do lugar emudece todo o grupo, que mesmo deslocado por não estarem trajados à rigot, não perde a oportunidade de desfrutar a ocasião nababesca.

No filme vemos uma jovem pobre da periferia, em avançado estado de gravidez, solicitando ao seu companheiro desempregado que o mesmo compre uma tintura para o seu cabelo enquanto folheia uma revista de celebridades. Para logo depois outro personagem afirmar que o desejo de consumo de todas as classes sociais pe determinado pela classe A. Nesse país você é o que você consome e o jogo midiático nos impele a buscar a qualquer custo os nossos 15 minutos de fama.

O quadro pintado é pessimista, Bianchi não nos mostra luz no fim do túnel. E apesar do filme terminar com uma celebração de uma família pobre, saímos com a incômoda sensação de que não há o que comemorar. O país expõe suas veias anti-éticas, onde ser honesto é sinônimo de ser otário. Sim, esse é o retrato do Brasil, talvez cronicamente inviável, mas aí já é uma outra história.
 
Mata, Valter (2008) A Pobreza enquanto Negócio Presente! revista de educação / Centro de Estudos e Assessoria Pedagódica. Ano 16, n.4, (dez/2008) Salvador:CEAP,n.63.
 
* Valter da Mata é mestrando do Programa de Pós-graduação em Pisicologia da Universidade Federal da Bahia, docente do Programa de Metodologia dos Estudos Africanos e Afro-brasileiros da Famettig e Vice-presidente do Conselho Regional de Psicologia Região 03 – Bahia / Sergipe.
 

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Tá na Hora da Janta

 
Um dos porquês da parcialidade de alguns órgãos da Mídia !
por Luiz Antonio Simas

O Brasil compreende e aceita Lula - e dá ao presidente inédita popularidade entre os homens do poder - porque Lula compreendeu e aceitou o Brasil. É simples assim.

Certos segmentos da elite e da grande imprensa, que tentam desqualificar Lula e o seu eleitorado, agem como  as madames quatrocentonas paulistas que oferecem banquetes para duzentos talheres em suas mansões. Cheias de si, conhecedoras das regras de etiqueta dos grandes ágapes, as madames se horrorizam quando alguém esculhamba o ritual, inverte pratos e facas, altera a ordem dos copos e desarticula as pompas e circunstâncias da festa.

Toda liturgia pressupõe um jogo de poder. A imposição de regras de etiqueta serviu, ao longo da história, para delimitar terrenos, marcar territórios e colocar cada qual em seu devido lugar. Quem não respeita a liturgia, a regra, os chamados bons modos, não merece frequentar o clube dos bem nascidos e a mesa dos poderosos. 

Desta forma o discurso da etiqueta serve, não raro, para segregar, erguer paredões, consolidar posições e inibir mudanças. Assim acontece - e de forma exacerbada - na esfera da política, reino repleto de todos os salamaleques cerimoniais que caracterizam as sociedades hierarquizadas.

O recado da liturgia é claro: os que não conhecem o cerimonial e não sabem se comportar não merecem frequentar a fidalguia dos salões. Somos, afinal de contas, o país que reproduziu trezentos anos de casa grande e senzala na arquitetura dos apartamentos com dependências de empregadas, os chamados quartinhos de fundos. 

O que certa elite não perdoa em Lula é exatamente a  dimensão simbólica de sua presidência - aquela que subverte a liturgia e, desta maneira, quebra a lógica de segregação que o exercício do cargo de mando geralmente impõe.

Lula é o batuque da senzala que abafa o bafafá da casa grande; é canto de torcida que invade os nobres balcões dos teatros de ópera; é a empregada doméstica que rasga o uniforme branco - em alvo contraste com o corpo preto - que escancara visualmente sua função de mucama da sinhá. Lula é, enfim, o homem comum que botou a faixa e subiu a rampa - território outrora destinado aos generais com seus galardões e aos bem nascidos principes das sociologias.

A imagem mais emblematica desse simbolismo foi a de Lula carregando um isopor cheio de cervejas em um dia de praia. Os jornalões estamparam nas primeiras páginas, com manchetes e charges que travestiam em humor o preconceito e o espanto, a figura do presidente da República agindo como homem comum. Não se espantariam, todavia, se um empregado carregasse a bebida do presidente, feito o negro de ganho que em antanhos carregava os pesos e pertences do senhor.

Os homens miúdos são necessários para preparar o jantar, arrumar talheres, manobrar os carros, limpar os banheiros, tirar a poeira e varrer os comodos das mansões. Chegam até mesmo a receber algumas gentilezas que mascaram a indiferença cordial dos poderosos. Que os miúdos fiquem longe, porém, do banquete de não sei quantos copos, garfos e facas de prata.

Os doutos poderosos não entendem Lula simplesmente porque nunca carregaram o isopor e ainda se esqueceram, trancafiados em decadentes palacetes, de olhar o céu e constatar que anoiteceu no Brasil (e como está bonita essa noite clara, de lua cheia e gente na rua). 

Tá na hora da janta, a fome é tanta e a mesa  é nossa.
 
Colaboração: Cíntia Vilas Boas (Campinas)

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Racismo Made in Brazil

O equívoco comum, bastante praticado, ao se abordar a questão do racismo no Brasil é o de compreendê-lo como igual ou similar ao de países com outras histórias e tradições. A eterna comparação com os EUA, outro gigante territorial e populacional do Novo Mundo, fez com que muitos relativizassem ou negassem a existência de racismo no Brasil, ao contrário de entendê-lo dentro de suas especificidades. De modo mais raro, a comparação com o finado apartheid sul-africano colocou o mesmo país, para os mais incautos, como pátria da tolerância racial.
A história de nossas relações inter-raciais remonta a um modo de produção - o escravismo colonial - que durou quase quatro séculos. Este integrou a economia, a sociedade e a cultura em um bloco político monolítico, orquestrado em sua fase final por uma monarquia importada de Portugal que nos governou de 1808 a 1889. Nos governos de João VI, Pedro I, nas Regências e no governo de Pedro II (1840-1889), o escravismo chegou ao seu ápice e ao mesmo tempo ao seu declínio. Em 1888, um decreto real aboliu a escravidão legal do país, para em seguida (1889) a monarquia ser derrubada pelo primeiro golpe de Estado militar (republicano) da história do Brasil.
Como nos Estados Unidos, nossa Independência foi feita sob o signo da manutenção da escravidão. Diferentemente de lá, jamais tivemos por aqui algo como a Guerra da Secessão, isto, porque a escravidão unificava o país como um todo. Diversos movimentos armados provinciais, ocorridos no século XIX, militaram contra a autoridade centralizada do imperador, mas, a não ser em posições e casos especiais, não contrariaram o ideal de manutenção da escravidão. Os liberais subversivos brasileiros da época defendiam o direito soberano de se ter escravos, concordando, neste ponto, com o nacionalismo escravista do poder central.
Não houve no Brasil área expressiva de nossa produção que não tivesse sido contaminada pela presença do braço escravo em maior ou menor grau. Em nosso tempo, algumas regiões, onde a escravidão teve menor importância ou a imigração aumentou o contingente populacional de origem européia, reivindicam o status de área do trabalho livre, tentando esconder seu passado.
Por aqui, jamais tivemos nada similar a uma Nova Inglaterra. Do sul ao norte, a escravidão foi a referência básica do mundo do trabalho até o século XIX. Sua integralidade foi patente, organizando a vida material e espiritual dos brasileiros livres, libertos e escravos. Aliás, do ponto de vista formal, fomos o último país a abolir a escravidão de africanos e seus descendentes (1888). Mantivemos os nossos indígenas em cativeiro até a segunda metade do século XVIII. Compreender o Brasil significa lembrar deste passado, considerando, por exemplo, que a realidade da grande maioria é o que constrói o mundo em que vivemos. O material e o simbólico derivam da vida do conjunto da sociedade e não de apenas uma de suas partes.
Luís Carlos Lopes


segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Agenda do Novembro Negro no CEAO

MÊS DA CONSCIÊNCIA NEGRA 2010
PROGRAMAÇÃO

| EVENTOS |
Minicurso de Literatura Afro-Brasileira: Práticas Pedagógicas – O grupo de pesquisa EtniCidades: escritoras/es e intelectuais afro-latinas/os  realiza evento com abordagens nas literaturas negra e infanto-juvenil, da mulher e da religião. Auditório Agostinho da Silva (3283-5502). R$ 10. Segunda a quinta-feira, às 18h. Dias 8, 9, 10 e 11 de novembro.

Seminário mulheres no sistema prisional baiano – O evento faz parte do Projeto Encruzilhada de Direitos e será desenvolvido a partir da parceria com: Sepromi, Casa Civil Tribunal de Justiça da Bahia – Vara de Execuções Penais, SJCDH; SEDES; SETRE;  SESAB; SSP (DEAM’s) Secretaria de Saúde, Ministério Público, FUNCEP e com entidades do movimento de mulheres.  Auditório Milton Santos (3283-5520). Quarta-feira, das 9 às 20h. Dia 10 de novembro.

Corpo-Imagem dos Terreiros: Experiência ritual e Produção de Presença – O debate faz parte do projeto contemplado pelo Programa Pensamento e Cultura com participação de Marco Aurélio Luz, Ilê Asipá e professor da UFBA; dos fotógrafos Adenor Gondim, Aristides Alves, Bauer Sá; Marcelo Bernardo da Cunha, coordenador do Museu Afro, professor do CEAO/UFBA. Auditório Milton Santos (3283-5502). Quinta-feira, às 18h30. Dia 18 de novembro.

Reunião com Militantes dos Movimentos Negros dos Estados Unidos – O evento terá a participação de representantes do NAACP, da Fundação Ford e da Fundação Século 21, entre outros. Auditório Milton Santos (3283-5520). Quarta-feira, das 10 às 14h. Dia 24 de novembro.

Lançamento do livro "Colonos e Quilombolas” - Com a presença de Cidinha da Silva, uma das quatro mulheres que fizeram entrevistas com familiares de moradores da colônia africana de Porto Alegre. O livro "Colonos e Quilombolas” registra histórias dos territórios negros urbanos formados em Porto Alegre /RS, findo o trabalho escravizado, por meio do testemunho e da voz iconográfica de se us protagonistas, moradores da região conhecida como Colônia Africana. Auditório Milton Santos (3283-5520). Quinta-feira, às 18h. Dia 25 de novembro.

A Situação dos Negros no Mercado e Trabalho da Região Metropolitana de Salvador. O debate terá a participação de Ana Margaret Simões, coordenadora da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) do DIEESE; Luiz Chateaubriand, sociólogo e analista da PED; e mediação da Profa. Paula Barreto, coordenadora do CEAO. (3283-5502). Segunda-feira. Dia 29 de novembro

Palestra Arte Afro-Brasileira com o Prof. Dr. Kabengele Munanga – O evento integra o 1° Seminário Afro-Brasileiro de Artes Visuais faz parte das comemorações do mês da consciência negra realizado pelo Museu Afro-Brasileiro do CEAO e da Associação Afro-Brasileira dos Artistas Plásticos. Auditório Agostinho da Silva (3283-5541). Terça-feira, às 18h30. Dia 30 de novembro.

LOCAL: CEAO

CEAO - Centro de Estudos Afro-Orientais
Pç. Inocêncio Galvão, 42, Largo Dois de Julho - CEP 40025-010. Salvador - Bahia - Brasil
Tel (0xx71) 3322-6742 / Fax (0xx71) 3322-8070 - E-mail: ceao@ufba.br - Site: http://www.ceao.ufba.br/